Pacientes de HIV/SIDA na RDC sem tratamento medico

Janeiro 24, 2012


Situação dos pacientes fica ainda mais crítica com os cortes de financiamento do Fundo Global, principal fornecedor de medicamentos anti-retrovirais no país

Às vésperas do 10° aniversário do Fundo Global de Combate ào HIV/SIDA , Malária e TB, celebrado no dia 28 de Janeiro, a organização humanitária internacional Paramédicos de catástrofe Internacional –PCI ,está muito preocupada com a situação dos pacientes com HIV/Sida  na República Democrática do Congo (RDC). Em função da falta de prioridade dada à questão da doença no país – por parte das autoridades congolesas – e da saída de doadores do Fundo, as condições de acesso ao tratamento para pacientes com HIV/Sida  na RDC são péssimas.

No Centro Hospitalar de Kabinda (CHK), em Kinshasa, capital do país, PCI  observou um grande aumento no número de pacientes com sérias complicações decorrentes da falta de tratamento. O estágio avançado da doença nesses pacientes causa um sofrimento, que para PCI , é
inaceitável

“PCI trabalhou com pacientes seropositivos em muitos países africanos, mas a realidade que estou observando na RDC é algo que não acontecia há anos em nenhum outro local“A situação aqui me lembra a época em que o tratamento anti-retroviral  (ARV) ainda não estava disponível. Nossos médicos têm que tratar sérias complicações que poderiam ser evitadas se os pacientes tivessem acesso ao tratamento desde cedo.”

Estima-se que o número de pessoas com HIV na RDC já passe de um milhão. Desse total, 350 mil poderiam se beneficiar do tratamento com ARV. Entretanto, no momento, apenas 44 mil estão recebendo tratamento, o que significa que a taxa de cobertura de ARV fica em torno de 15%, uma das mais baixas do mundo – dentre todos os países africanos, apenas a Somália e o Sudão apresentam um valor parecido.

A RDC também é uma das duas piores colocadas dentre todos os países da África ocidental central com relação à “Prevenção da Transmissão de HIV de Mãe para Filho”(PMTCT, na sigla em inglês) – apenas 1% das grávidas seropositivas tem acesso aesse tipo de tratamento no país. Sem tratamento, aproximadamente um terço dos bebês expostos ao vírus nascerá com HIV.

Apesar destes indicadores desastrosos, não foi dada à RDC a prioridade devida. E o pior: alguns doadores, como o Fundo Global, estão retirando ou reduzindo drasticamente o financiamento oferecido. Como os países que financiam o Fundo não cumpriram suas promessas, o órgão teve que reduzir as actividades, inclusive na RDC, onde é o principal fornecedor de medicamentos anti-retrovirais.

Esta saída dos doadores é uma ameaça directa à vida de milhares de pessoas na RDC. “Se nada for feito, é muito provável que as 15 mil pessoas que estão na lista de espera e que precisam receber medicamentos ARVs urgentemente estejam mortas em três anos. E por mais horríveis que esses números sejam, eles representamapenas a ‘ponta do iceberg’ se pensarmos que a maioria das pessoas com HIV/Sida
na RDC não tem consciência de sua condição, e que muitas vão morrer em silêncio,É essencial que as autoridades congolesas honrem seu compromisso de oferecer serviços de prevenção e tratamento´gratuitos para as pessoas que vivem com HIV/Sida  no país. Também é fundamental que todos os doadores mobilizem imediatamente os recursos necessários para garantir que os pacientes que precisam de tratamento anti-retroviral não morram na fila de espera.