Emergência Humanitária no Sudão do Sul

Janeiro 24, 2012


No estado de Jonglei, no Sudão do Sul, a população civil continua sofrendo com os violentos conflitos internos. Três semanas após os
ataques na cidade e em aldeias nos arredores do condado de Pibor, pacientes feridos ainda chegam ao hospital da organização humanitária internacional Paramédicos de catástrofe Internacional –PCI. Muitos feridos estão nas matas, onde milhares de pessoas continuam escondidas com medo.

As equipes de Paramédicos de catástrofe Internacional –PCI.  estão atendendo pacientes com infecções graves. Desde que reiniciou suas actividades médicas de emergência em Pibor, a organização já tratou 68 pacientes – 25  mulheres e  crianças – com ferimentos causados por armas de fogo. Outros 33 pacientes, que haviam sido esfaqueados, espancados ou se machucado durante a fuga para a mata também receberam tratamento.

Após o ataque na aldeia de Wek, no norte do estado de Jonglei, no dia 11 de janeiro, PCI  retirou, de avião, 13 pacientes, a maioria mulheres e crianças, que precisavam de cirurgias urgentes e os levou para o hospital da organização em Nasir. Anteriormente, em agosto de 2011, um ataque na cidade de Pieri e em aldeias próximas, havia deixado milhares de mortos. Nos últimos seis meses, 185 pacientes gravemente feridos
receberam ajuda de equipas de  PCI. “Nós estamos observando um ciclo de ataques em toda esta área ao norte do estado. “Para a população civil desta região do Sudão do Sul, o medo de ter de abandonar sua casa ou de ser assassinado é muito real.”

Uma característica recorrente nos ataques em Jonglei é a extrema violência. Uma mulher, ferida a tiros e atendida por equipas de PCI , disse que havia fugido para a mata com seu marido, filhos e outros 15 familiares. Após correr por mais de onze horas, eles foram encontrados por um grupo de homens armados que simplesmente abriram fogo. “Nós nos separamos. Eles acertaram minha coxa e o meu bebé, que estava nas minhas costas. Eu tentei me esconder na grama alta, mas, como o meu bebé estava chorando, eles me encontraram. Eles começaram a
bater na minha filha até ela ficar quieta. Eles foram embora porque acharam que estávamos mortos”. O filho desta mulher levou um tiro no peito, mas felizmente sobreviveu após ser atendido pelas equipes de PCI .

PCI  está seriamente preocupada com a saúde e o bem-estar da população civil que teve que fugir. Essas pessoas estão se escondendo na mata, com pouco ou nenhum abrigo e acesso limitado a alimentos, portanto mais susceptíveis a doenças. E quando eles voltam para casa, é comum encontrarem apenas cinzas onde suas casas costumavam ficar.Lekwongole, uma aldeia no norte da cidade de Pibor, onde PCI tem uma clínica, praticamente não existe mais, e tudo que restou da clínica no local são o piso e as paredes de concreto. “As pessoas me contaram que durante o dia elas se aventuram a sair de seus esconderijos em busca de alimento ou de cuidados médicos. Mas à noite eles voltam a se esconder na mata, onde correm um risco ainda maior de contrair malária ou infecções respiratórias”. Em Pibor, aproximadamente metade das consultas realizadas desde o dia 7 de Janeiro foram casos de malária.

Um padrão muito preocupante está se evidenciando no Sudão do Sul, onde as pessoas – e seus já escassos recursos – estão sendo deliberadamente alvejadas por todos os grupos armados envolvidos nos conflitos internos. Hospitais, clínicas e fontes de água também são alvos desta violência, o que sugere que a táctica destes grupos é privar as pessoas dos cuidados essenciais de sobrevivência exactamente
quando elas mais precisam, que é quando fogem para a mata ,o mais preocupante da situação é que a população civil está sendo alvejada. “Após esses ataques, muitas mulheres e crianças que levaram tiros, ou que foram esfaqueadas ou espancadas, estão procurando PCI . Elas acham que estão seguras escondidas na mata, mas, pelo visto, fugir não é o suficiente.”

“Encarando a realidade: a crise na saúde se agrava à medida que a violência aumenta no sul do Sudão”, lançado em Dezembro  PCI documentou o crescimento da violência interna nos estados de Jonglei e do Alto Nilo, bem como seu impacto na população civil. A situação ainda não melhorou. Nos últimos seis meses, a organização já tratou mais de 250 pacientes vítimas da violência apenas no estado de Jonglei. A maioria, mulheres e crianças.